Rss Feed
  1. Devaneando Sobre o Embotamento Afetivo

    domingo, 29 de abril de 2012

    
    Meus amigos. Eles são meus amigos. Não sei. Eles acham que eu sou amigo deles. Não sou. Embotamento afetivo. Graças à modernidade. Minha mãe não me abraça. Meu pai não me abraça. Minha avó não me abraça. Só meu cachorro me abraça. Se bem que sou eu quem abraça. Ele só fica ali esperando. Esperando eu soltar o coitadinho. Uma graça ele. Queria eu namorar. Mas eu não posso namorar por causa do meu embotamento afetivo. Eu não sei falar para as pessoas que eu gosto delas. Nem como amantes nem como amigos. Não consigo. Claro que eu já tentei. Não sou idiota. Idiota é você. Seu idiota seu FDP. Tenho ficado irritadiço. Não sei por que isso agora. Sempre tive embotamento afetivo. Mas antes eu nem sabia. Agora eu acho que tenho raiva é de ter. Por que antes eu nem tinha noção de possibilidade de resolução desses meus problemas que eu não sabia nomear. Agora já sei o nome. E pior!! Já sei como arrumar. Não arrumo. Não arrumo por causa do próprio problema. Dá raiva ver a porta de saída ali com o fogo estalando nas costas e não chegar lá por causa da pilastra que caiu sobre seu pé sobre o chão duro. Só me dar um abraço que a pilastra some e o fogo apaga. Mas qual a utilidade de apagar o fogo se já tirou a pilastra do meu pé? Não sei. Mas eu não sei de muita coisa. Meus amigos ás vezes me abraçam. Eu gosto deles? Não sei. Sinto que eu devo gostar. Acho que se gosto nunca vou saber. Mas se eu não gostasse eu saberia. Então acho que gosto. Mas não sinto esse gostar. Essa coisa que eu sinto pelo cachorrinho. Até que ele não é pequeno. Consigo sentir o toque do pelo, do nariz, da língua, da patinha dele mesmo de longe. Simulo a sensação. A saudade é essa simulação levada a um nível muitttttttttttto alto, chega ao máximo! Ai, quando já não dá pra aumentar, já não é suficiente. E ai vem ela! A Saudade. Essa ânsia de sentir o que se fingiu sentir. Sei lá. Saí da frente do texto pra obedecer a minha mãe e perdi o fio a miada. Acabou.

  2. Acalma minini

    terça-feira, 24 de abril de 2012

    É.                                            

    Gosto  dela.

    A calma.

    Não  sei  se  é  bom  sinal.

    A  calma.

    É  boa.

    É.

    Os  momentos  de  calma.

    Não  pensar  no  próximo  passo.

    Não  pensar.

    Pensar  sim.

    Pensar  devagar.

    À  calma  entrega-se.

    Não   quem  force  a  calma.

    À  calma  entrega-se.

    Ela  escolhe  seus  eleitos.

    Não  sei  da  liberdade  dos  eleitos.

     quem  a  recuse?

     motivos  a  recusa-la?

     meios  a  recusa-la?

    Não  sei.

    Ela  me  tem  agora.

    Agora.

     o  agora  tem  na  calma.

    A  calma.

    Que  ela  me  tenha  sempre.

    ACABOU.

    Tive vontade de ter calma. E ela não gosta disso.

    Agora espero sua próxima visita.  Ahh vou sofrer a espera! Quando virá?

    Não sei.

    Pode  ser  quando  ela  quiser.

    Se  ela  quiser.

    Não me importo.

    Se não vier, tudo bem.

    Ficarei bem sem tê-la aqui.

    MENTIRA

    Tentava eu enganar a calma. A ela não se engana. Não se força. Não se manipula.

    À calma entrega-se. Quero entregar-me.

    Monto uma armadilha pra pegar calma. Não é tão difícil.

    Na verdade não é difícil.

    Arma-se a armadilha.

    Finge-se já estar com a calma.

    A calma.

    E ela vem de mansinho.

    A calma.

    A calma vem calma.

    Entra debaixo da arapuca.

    E lá dentro agracia com sua presença.

    Não antes de a ansiedade ativar as alavancas e prende a calma pra sempre ali.

    FALHA.

    Caem as grades sobre a calma e ela já não existe ali. Some!! Onde!?

    Lugar qualquer longe de mim.

    Foi ela a própria calma quem calmamente planejou essa tortura chinesa!!!!!  Só pode ser!

    Passou seu calmo tempo, que dura mais que os outros tempos,  planejando minha inquietação eterna.

    Foi ela que veio a mim dar seu abraço, e enquanto eu a abraçava de volta reconhecendo sua presença em minha vida, ela moldava minha felicidade ao seu formato, viciava minha felicidade à sua companhia.

    E quando se foi, achei minha felicidade a exigir a calma.

    E como ter a calma necessitando da calma.

     Porque quando se necessita de algo para a felicidade quem sai à procura é a ansiedade.

    E essa, quando passa na rua, ao ver a calma, vira a cara.

    A calma é calma. Ninguém a disse ser boa. Planejara tudo isso pra mim.

    Agora a felicidade não me deixa abandonar a ansiedade, que é quem procura as coisas por ela, mas nessa procura não procura não.

    E a felicidade já não me abraça mais.


    Quem disse que a calma é boa?
    A calma acalma.
    Só.
    Só a bondade é boa.
    Só.
    Sozinha, ela.

  3. A Elegância dos Alongamentos Matinais

    domingo, 15 de abril de 2012

          E eu resolvi fazer alongamentos. Todo dia de manhã. Por que alongamento é  coisa que desintoxica. Eu mesmo desenvolvi essa teoria quando uma vez ouvi alguém dizer que dor faz bem, desintoxica. Ou será que eu li. Tomara que eu tenha lido, ler é muito mais elegante que ouvir. Não acho que é por que ler seja mais dificil q ouvir, mas é mais raro encontrar alguém que se proponha a ler uma coisa dessas. Ouvir se ouve mesmo sem querer ouvir, mas ler... ler não, ler é diferente, é pra pessoas de cultura, pessoas que decidem gastar batimentos de seus  coraçõezinhos pra saber como se desintoxicar pela dor. Ler é raro. Raro e caro. Paga-se em batimentos. Fazer o que?! Ser elegante é raro e caro. Queria um computador caro, mas to puxando o saco da mama. Se bem que ela nao tem saco, minha mãe é mulher. Se tivesse talvez fosse mais parecida com o meu pai e eu não precisaria puxar o saco que agora ela teria. Um paradoxo (paradoxo também é coisa muito elegante). Ser elegante parece muito importante pra mim. Outra teoria que desenvolvi é que ser elegante é parecer, ao mesmo tempo, inteligente e gente boa. Parecer não é o mesmo que ser. Não há quem saiba do ser, o ser é a essência. Não existe coisa que saiba, coisas percebem. #Comteconcorda